Translate

terça-feira, 17 de julho de 2012

Relógio de Sol


RELÓGIO DE SOL

Fazer um projeto de Relógio de Sol para sua escola é, sem dúvida, algo muito interessante, além de ser uma atividade multidisciplinar, a construção desse tipo de relógio envolve toda a comunidade escolar.
Construir um Relógio de Sol é uma atividade multidisciplinar, porque no projeto os professores terão de passar conceitos de geografia (latitude, longitude, pontos cardeais, etc.), física (astronomia, sistema de unidades e mecânica), matemática (ângulos e medições).
A comunidade escolar é envolvida porque, além dos professores, a direção da escola também tem de participar: Se o relógio solar for definitivo, deve-se escolher um local na escola que não atrapalhe outras atividades e que tenha bastante sol, tanto à tarde como pela manhã. A direção precisa, também, prover recursos, pois um Relógio de Sol definitivo, não pode ser feito com material simples ou reciclado, o Relógio de Sol precisa de cimento, placas de metal, impressão, etc.
Outra forma de produzir um relógio de sol é fazê-lo com material simples e/ou reciclado, este relógio não seria definitivo, ou seja, não faria parte da arquitetura da escola. Depois do projeto ele seria removido. Este tipo de relógio de sol também tem suas características:

  • Todo ano pode ser feito um novo projeto com outra turma.
  • Pode ser transportado para outros locais para demonstração.

A primeira característica é importante pois pode fazer parte do calendário de eventos multidisciplinares da escola. Já a segunda tem suas restrições, pois ao levar a um lugar onde não tenha sol, ou a um lugar onde não temos a medida exata dos pontos cardeais, ou ainda a um lugar tão distante que tenha mudado, significativamente, a coordenada da latitude local, pode dificultar ou tornar impossível o trabalho.
Para feiras de ciência em locais fechados, onde não há sol, os professores e alunos, terão de mostrar fotos de como o relógio de sol foi construído, banners para explicar como ele funciona e até mesmo, se for possível, simulações no computador, já que o Relógio de Sol será mostrado, mas não poderá ser visto em ação, ou seja, ao sol.


Determinação do Local e da Meridiana

A primeira etapa da construção de um Relógio de Sol é determinar o local onde ele irá ficar, observando se não terá sombra a maior parte do dia. Logo em seguida deve-se determinar os pontos cardeais exatos. O uso de uma bússola magnética não é aconselhado, pois o eixo magnético da terra não está alinhado com o eixo geográfico, existe um fator de correção que depende da coordenada de longitude do local. Por isso usaremos outro método que é mais didático: A determinação da Meridiana Local, ou a linha Norte-Sul.
A determinação da linha Meridiana é importante pois o centro do Relógio de Sol deve estar paralelo a ela e o ponteiro do relógio deve apontar para ela.
Para começar a traçá-la usaremos um fio de prumo, que pode ser de barbante, de mais ou menos um metro de altura, ao qual será amarrado um peso, o qual deverá quase tocar o chão. O fio será amarrado a um suporte conforme a figura a seguir:


Uma vez montado o aparato, marcamos a sombra do barbante no período da manhã com um giz, e traçamos com outro barbante e um giz na ponta, um semicírculo com o raio do tamanho da sombra, e o centro do círculo onde está o início da sombra.



A sombra do barbante irá diminuir e mudar de direção até determinada hora, depois, à tarde, a sombra do barbante começará a aumentar novamente. No momento em que a sobra do barbante tocar o círculo, traçamos um risco para marcar a sombra da tarde. A sombra da manhã e a sombra da tarde formam um ângulo, e a metade deste ângulo nos dá a posição da bissetriz do arco. Essa bissetriz é a própria Meridiana local ou linha Norte-Sul.


Com a linha Norte-Sul (Meridiana) traçada, traçamos, também a linha Leste-Oeste, que é ortogonal à Meridiana. Assim, temos os quatro pontos cardeais traçados no local onde ficará nosso Relógio de Sol.
As atividades acima incluem a noção de ângulo, o uso de fio de prumo, uso de réguas e trenas, uso do transferidor, noções de pontos cardeais e inclinação do eixo da terra em relação ao movimento de translação. Essas noções devem ser dadas pelos professores de matemática e geografia, antes de ir a campo.



Construção do Relógio de Sol

Existem vários tipos de Relógio de Sol, o “horizontal”, o “vertical”, o “polar”, o “equatorial” entre outros. O Relógio que vamos adotar para nossa construção é chamado de “Relógio de Sol Equatorial”. O nome Equatorial significa que o nosso mostrador ou disco com as horas estará sempre paralelo ao plano do equador, e o ponteiro do relógio, também chamado de Gnomon, estará sempre paralelo ao eixo de rotação da terra.
Mas porque esta orientação do disco e do gnomon (ponteiro) é necessária?
A resposta é que a posição do Sol em relação ao local onde estamos varia de acordo com a época do ano. No inverno, aqui no hemisfério Sul, o Sol fica mais inclinado para o Norte ao fazer seu caminho no céu. No verão, o caminho que o Sol faz fica mais inclinado para o centro Sul do céu. Isto produz diferenças nas posições das sombras que são projetadas no chão mudando a marcação das horas. Para corrigir estas diferenças é que nós usamos estes fatores de correção, ou seja, orientamos o Relógio de Sol de acordo com a inclinação da terra. As sombras continuarão diferentes de acordo com a época do ano, mas cairão sempre dentro do mesmo marcador de hora (riscos) do mostrador do Relógio.
Exemplo: Às dez horas da manhã de um dia de verão o gnomon formará uma sombra entre os números 10 e 11 do mostrador. Já quando for dez horas da manhã em um dia de inverno, a sombra do ponteiro (gnomon) será maior, pois o sol estará mais inclinado, mas esta sombra continuará entre os números 10 e 11 do mostrador, ou disco do relógio.
Vamos ver melhor observando a figura a seguir:





θ1 e θ2 são os ângulos relacionados a latitude do local onde está o relógio. Para cada latitude inclinamos o mostrador do Relógio de Sol para que o ponteiro ou gnomon esteja sempre alinhado com o eixo de rotação da terra. Assim ajustamos o Relógio de Sol para que as sombras fiquem dentro da mesma hora no mostrador independente da época do ano.

Uma boa atividade neste momento seria fazer com que os alunos pesquisem sobre as coordenadas de latitude e longitude de sua cidade. Isto poderia ser colocado como um desafio usando o método de Web Quest.
O próximo passo é confeccionar o mostrador do Relógio de Sol: Se o seu Relógio de Sol for definitivo deve-se usar uma placa metálica de bronze, alumínio ou cobre, onde será desenhado o mostrador. Se o seu relógio for simplesmente didático, ou seja, não definitivo, o mostrador deverá ser desenhado em uma folha de papel e posteriormente colado em uma folha de papelão.

Nosso mostrador não precisa ter as 24 horas do dia. Nas latitudes onde se encontra o nosso país basta marcar um intervalo de 6 horas às 18 horas. Existem países que possuem sol até as 22 h no verão, e este assunto, também é interessante colocar para ser discutido em sala de aula.

A figura abaixo mostra como deve ficar o desenho:



Cada semicírculo possui 180 graus dividido em 12 horas, o que nos dá 180/12 = 15 graus. Cada risco será desenhado em um ângulo de 15 graus em relação ao outro. Se adotássemos um Relógio de Sol Horizontal, teríamos que calcular cada traço, pois o desenho dos traços seriam mais complicados.
Porquê duas metades?
Ele deve ser desenhado em duas metades porque o ângulo de inclinação de nosso Relógio de Sol Equatorial deve ser igual a latitude do local. No entanto, algumas latitudes podem ser inferiores ao grau de inclinação do nosso Sol no inverno, passando a fazer sombra do outro lado do Relógio. Portanto, precisamos das duas metades do mostrador: uma fica de um lado e a outra fica do outro.
O papel com os mostradores, deve ser recortado e colado em uma folha de papelão grosso, com o gnomon (ponteiro) de metal atravessando a folha e servindo de ponteiro dos dois lados conforme a figura a seguir:


A outra metade do mostrador deve ser colada do outro lado do papelão.
Ao colar o papel ou desenhar o mostrador, deve-se lembrar que o movimento da sombra sobre o mostrador será anti-horário. Verifique a sombra antes de colar
Se o seu relógio for definitivo os mostradores devem ser colados ou desenhados em uma placa de metal no mesmo formato da figura anterior. O gnomon, também de metal, deve atravessar a placa de metal, ou então deve-se colar um ponteiro de cada lado da placa.

O Relógio de Sol deve ser colado a um suporte que deve ter a inclinação certa. A inclinação possui o mesmo ângulo da latitude local. O suporte onde o relógio deve ser colado deve possuir o seguinte formato:


Este suporte pode ser feito de papelão retirando-se o pedaço relacionado ao ângulo da latitude local “θ”. Note que em nenhuma figura eu coloco as medidas pois o tamanhos do Relógio de Sol e do suporte podem ser escolhidos de acordo com o tamanho de seu projeto, ou seja, pode ser grande ou pequeno, o importante é manter as proporções, direções e os ângulos.
Para o caso de um Relógio de Sol definitivo, este suporte deverá ser feito de concreto e a placa de metal deve ser colada nele. Neste caso será a parte mais importante pois o concreto exige molde de madeira, e o molde já deverá estar alinhado com os pontos cardeais.
Vejam nas figuras a seguir como ficariam os dois Relógios de Sol, o de papelão e o definitivo:





Uma vez colocado em seu lugar, o Relógio de Sol está pronto.
Uma discussão interessante para colocar aos alunos, é sobre o horário local oficial. O horário oficial nem sempre é o verdadeiro, pois depende do fuso, ou seja, a longitude, e a determinação política. Alguns locais tem diferença de até uma ou duas horas. Mas mesmo em locais onde se considera que não há diferença, existem pequenas diferenças pois o horário adotado para toda a extensão de um fuso é o valor da hora no centro do fuso, produzindo pequenas variações de minutos até meia-hora. Novamente temos de recorrer as coordenadas, neste caso a longitude exata para saber as diferenças, este seria um bom assunto para pesquisa.
Para o caso do Relógio de Sol definitivo, pode-se adotar formas mais interessantes, mais bonitas consultando a internet, pois ele será um objeto de decoração em um pátio ou jardim. Recomendo, também, que se faça um pequeno jardim em volta, ou um pequeno murro para isolar o Relógio.
O Relógio não definitivo pode ser demonstrado em uma feira de ciências usando uma lâmpada ou lanterna para mostrar a sombra e sua evolução, tanto durante um dia como no inverno e verão.
Boa sorte a todos os professores e alunos que quiserem fazer o seu Relógio de Sol.


Walder Antonio Teixeira


 Obs: Se você quiser fazer um Relógio de Sol cujo mostrador fique diretamente no chão (Relógio de Sol horizontal com Gnomon Polar). Deve-se usar a seguinte fórmula:

ah= arco tg ( tg ( h * 15 ) * send)
Onde ahé o ângulo horário da escala
tg é a tangente
h varia de 0 a 6 para 12 a 18 horas, respectivamente
e d é igual à latitude local.

Este é um relógio mais interessante para praças, pois o mostrador fica direto no chão. O ponteiro ou Gnomon aponta para o sul e tem a inclinação da latitude local. A fórmula é usada da seguinte maneira: O centro ou 12 h é considerado o ângulo zero. A partir dele calcula-se a 1 hora (h=1) e obtém-se o ângulo para traçar a linha da hora (ah) em relação às 12h. As duas horas da tarde (h=2) obtém-se outro ângulo (ah) e assim por diante. Para as horas da manhã basta traçar as mesmas linhas simetricamente.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Experimento: Eletrólise em Solução Aquosa


ELETRÓLISE EM SOLUÇÃO AQUOSA
Por Walder Antonio Teixeixra

Dissociação do NaCl


Os projetos mais interessantes feitos para feira de ciências são aqueles que são multidisciplinares, ou seja, envolvem mais de uma disciplina em sua execução. Alguns são experimentos comuns, mas que, se explorarmos mais a teoria, a demonstração se torna mais interessante.

Um experimento que eu costumava fazer quando tinha meus 12 anos era a eletrólise do sal de cozinha em solução aquosa. É um experimento interessante, pois envolve conhecimentos de Química e Eletricidade.

A eletrólise é caracterizada pelas reações de oxi-redução em uma solução condutora, desde que se estabeleça uma diferença de potencial entre dois ou mais eletrodos mergulhados na solução.

1 - As reações químicas

Quando fazemos a eletrólise do NaCl em solução aquosa, temos o cátion formado pela auto-ionização da água e o ânion do sal.
Mas o que é a auto-ionização da água?

Auto-ionização da água é a água se dividir em íons: H1+ (H3O1+) e OH1-


2 H2O   =>   H2O   +   H1+   +   OH1-   =>   H3O1+   +   OH1-


Quando dissolvemos sal de cozinha (Cloreto de sódio ou NaCl) na água e aplicamos uma corrente contínua obtemos várias reações:




Reação de Dissociação do NaCl
2 NaCl   =>   2 Na1+   +   2 Cl1-
Reação de auto-ionização da água
2 H2O   =>   2 H1+   +   2 OH1-
Reação no ânodo
(elétrodo positivo)
2 Cl1-   =>   Cl2   +   2 e-
Reação no Cátodo
(elétrodo negativo)
2 H1+    +   2 e-   =>   H2




Quando eliminamos os fatores iguais de um lado e de outro da reação e efetuamos a soma dos elementos, obtemos a reação global:




Reação de Dissociação do NaCl
2 NaCl   =>   2 Na1+   +   2 Cl1-
Reação de auto-ionização da água
2 H2O   =>   2 H1+   +   2 OH1-
Reação no ânodo
(elétrodo positivo)
2 Cl1-   =>   Cl2   +   2 e-
Reação no Cátodo
(elétrodo negativo)
2 H1+    +   2 e-   =>   H2

Soma ou
Reação global

2 NaCl  +  2 H2O   =>  2 Na1+  +  Cl2   +  H +  2 OH1-



Podemos fazer cartazes com os quadros acima para explicar as reações químicas.


2 - Montando a cuba do experimento

Para montarmos o experimento precisamos montar uma cuba para as reações com as seguintes características:

- Vidro ou plástico transparente para podermos visualizar as bolhas de gás que irão se formar. É mais interessante que seja de vidro, pois o vidro é menos reativo. Esse vidro ou plástico será a cuba.

- Dois elétrodos de carvão ou grafite.

- Tubos para o armazenamento dos gases.





O cátodo é o elétrodo negativo e o ânodo é o elétrodo positivo.

Os recipientes para armazenar os gases são interessantes, pois o hidrogênio (H2) é inflamável e durante o experimento nós podemos acendê-lo com um fósforo ou isqueiro para obter uma pequena explosão. Mas podemos retirar esses recipientes e ficar sem a pequena explosão, pois as bolhas de gás já fazem um bom efeito visual. Assim, o experimento fica mais simples.

Quimicamente obteremos: Gás cloro (Cl2) no ânodo, gás hidrogênio (H2) no cátodo e soda cáustica ou hidróxido de sódio (NaOH) na solução.

3 – Fazendo a parte elétrica

A parte elétrica do experimento, também é muito simples. Podemos usar pilhas em série, baterias ou eliminadores de pilha como fonte de corrente contínua.

Uma coisa importante: é preciso tomar cuidado, pois a água com sal é um bom condutor elétrico e possui uma resistência elétrica muito pequena. Isto poderá produzir uma corrente muito alta que gastará as pilhas e bateria muito rapidamente. Para evitar este problema pode-se colocar uma resistência em série com o sistema, o que irá diminuir a corrente e dar mais tempo de vida às pilhas. Porém, ao fazer isso também diminuiremos o número de bolhas, diminuindo o efeito visual.

Eu costumava usar uma pequena lâmpada como resistência, que além de diminuir a corrente, indicava que o sistema estava ligado. Hoje em dia um pequeno LED pode fazer essa indicação, e com um potenciômetro, que tem resistência variável, podemos aumentar ou diminuir o número de bolhas.

O esquema elétrico é o seguinte:



O LED vai indicar se o sistema está operante ou não, e também vai dar um aspecto visual mais interessante. O tipo de LED depende dos valores de tensão e corrente do circuito.

O valor do potenciômetro depende das características de seu projeto, tamanho da cuba, a quantidade de corrente no sistema, a voltagem da bateria ou conjunto de pilhas. Faça testes com vários potenciômetros que você aprenderá um pouco mais. Faça contas usando as fórmulas de circuitos elétricos. Faça cartazes com essas contas para enriquecer o seu projeto. Faça medições usando um multímetro. Calcule a resistência da cuba.

Exemplo:

A resistência total do sistema é:

Rt = Rcuba + RLED + RMax

Onde, Rt é a resistência total, Rcuba é a resistência da cuba, RLED é a resistência do LED, RMax é a resistência do potenciômetro quando está no máximo.

Logo, a corrente quando o potenciômetro estiver no máximo de resistência será dada por:

I = V / ( Rcuba + RLED + RMax )
A resistência do potenciômetro quando ele está no mínimo é zero, então o maior valor possível para a corrente será:

Imax = V / ( Rcuba + RLED )

4 – Dúvidas e cuidados

Um cuidado importante que se deve ter é ao montar o circuito, lembrar que o LED é um diodo semicondutor que deixa a corrente fluir somente em uma direção. Isto quer dizer que ele deve ser ligado da maneira certa. Se ligar o LED ao contrário o circuito não irá funcionar.

É importante soldar os elementos em uma placa ou ponte de terminais: LED, potenciômetro e chave.

Posso usar corrente alternada ligando diretamente na rede elétrica?

Pode, mas precisa de certos cuidados, pois a voltagem é muito alta e pode produzir correntes altas também, pois a resistência da cuba é muito baixa (água e sal). Neste caso coloque uma lâmpada de 40 w em série no sistema como limitador de potência para sua segurança e do próprio sistema.

No caso da corrente alternada, os elétrodos se alternam na função cátodo e ânodo, sessenta vezes por segundo (freqüência de operação da rede), e as bolhas de gás de Cl2 e H2 formadas se misturam de ambos os lados, logo você não terá gás cloro de um lado e gás hidrogênio do outro, mas sim uma mistura de ambos nos dois elétrodos.

Não use cartazes feitos à mão, faça no computador e depois cole as partes. Dará um aspecto mais profissional. Se for possível use um computador na sua bancada para mostrar os cartazes na forma de slides.


5 – Conclusões

Você pode produzir um efeito visual com as bolhas e ainda dar uma aula de reações químicas e eletricidade.

É um projeto bastante interessante, pois além de ser multidisciplinar, ele está ligado a importantes processos industriais. Industrias que produzem soda cáustica para outras indústrias químicas, cloro que também é usado em industrias químicas, hidrogênio que pode ser usado como combustível.  

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Não Monga! Não!

Walder Antonio Teixeira

Monga a Mulher Macaco e a Reflexão


Existem saltimbancos que percorrem cidades do Brasil para mostrar a transformação da Monga, A Mulher Macaco. Este espetáculo é um show de transmutação bastante conhecido nas cidades do interior, ele é feito em um palco ou uma tenda devidamente preparada.

Os atores montam este palco com uma cela para a mulher que vai se transformar em um animal não fugir. Fazem uma encenação, e então diante de todos a mulher se transforma em um gorila. Em alguns casos a cela se rompe e o gorila sai correndo atrás das pessoas com o locutor desesperado dizendo:

- Não Monga! Não! Eles são seus amigos!
- Pare! Pare Monga!

Finalmente, depois de todos correrem, Monga é dominada pelo domador e o espetáculo termina.

Alguns gostam, outros acham brega, mas o importante é que as crianças adoram sair correndo da monga.

O que pouca gente sabe é que este show de circo e parques de diversão é baseado em uma história real. Julia Pastrana, uma índia mexicana, tinha uma doença conhecida como hipertricose que faz os pelos do corpo crescer em demasia. Julia foi comprada de seus pais ainda criança por um circo de horrores onde era apresentada com o nome de Monga, a mulher gorila, uma aberração. O circo fez muito sucesso nos anos 60, e o dono do circo acabou se casando com ela.

Quando ela morreu o dono do circo mumificou o seu corpo e continuou a apresentar Julia. Atualmente o corpo de Julia e seu filho, que também tinha a mesma doença, encontram-se em um museu na Noruega. 

Mas como o truque da Monga é feito?

O truque é bastante simples, mas requer algum investimento. 

O show inteiro não passa de um truque de iluminação e reflexão, ou seja, basta saber um pouco de Física.





O local onde é apresentado o show tem o seguinte esquema:


  
O teatro ou o local deve estar mais escuro que as lâmpadas da caixa de madeira. Todos vêem a reflexão da mulher no vidro, que pode dar um show de dança antes da transformação.

Logo em seguida, a mulher segura as grades e fica na mesma posição que o gorila em relação às grades. Então, o operador começa a diminuir a luz do local onde está a mulher e começa a aumentar a luz do local onde está o gorila. Como isto é feito lentamente tem-se a impressão que a mulher está se transformando.

No final da operação, o vidro é retirado para o gorila sair.   







No final o gorila rompe a grade e corre atrás das pessoas, terminando a sua performance.



O segredo da Monga:



A imagem do gorila, simplesmente atravessa o vidro quando a sua luz está acesa.
Quando as duas luzes estão acesas, as imagens da mulher e do gorila se misturam, para o observador que está olhando na direção do raio refletido. Logo, tem-se a impressão que a mulher está se transformando em um macaco.
 
Na disciplina de ciências, em salas de aula ou em projetos para feiras, o show da monga pode ser feito como uma maquete para ser demonstrada a reflexão e o que acontece quando se modifica a luz em ambientes divididos por um vidro.
A parte mais complicada ao montar o projeto é confeccionar o circuito elétrico para as luzes. Cada luz será ligada em série a um potenciômetro que controlará a iluminação:

  

O esquema é o mais simples possível, mas ele pode ser aprimorado.
O operador deverá girar o botão do potenciômetro. Isto fará com que a resistência elétrica de um lado do potenciômetro aumente, diminuindo a luminosidade de uma lâmpada, enquanto a resistência elétrica do outro lado diminui fazendo com que a segunda lâmpada aumente a sua luminosidade.

É preciso determinar a resistência ideal do potenciômetro. Ele também deverá suportar 220 Volts.

Se usarmos duas lâmpadas de 60 W, a potência dissipada do sistema sem o potenciômetro será de 120 W a 220 Volts, o que nos dá uma corrente total de 0,5 A.
  
Então que tal fazer uma maquete para seu projeto de ciências ou um palco grande e encenar este show para toda a escola dando uma aula de reflexão. Ou melhor, ainda: que tal fazer seu próprio parque de diversões começando com a MONGA.

MONGA também é ciência!